6 de abr de 2010

A REFORMA DO CAPITALISMO


Logo após a cúpula do G20, em abril de 2009, conversei com meu amigo Marcos Marinho, um apaixonado defensor das esquerdas. Ele estava indignado com uma notícia que lera naqueles dias.

Disse-me ele, entre um gole e outro de seu Campari: “Os EUA anunciaram a liberação de uma verba milionária para que a França possa fazer uma reforma na torre Eiffel. Eles argumentam que a torre é um dos símbolos do mundo capitalista, portanto deve ser revitalizado. Isso é um absurdo ! O mundo capitalista está falido, a beira de um colapso, e eles querem injetar milhões na reforma do maior símbolo de um sistema decadente !”

As relações políticas, militares e culturais entre EUA e França, dois países chave para o mundo ocidental capitalista, possuem raízes profundas e uma longa trajetória na história. Os franceses socorreram os americanos na Guerra de Independência. Os americanos socorreram os franceses após a invasão nazista na Segunda Grande Guerra. A Estátua da Liberdade foi um presente dos franceses aos americanos. Nada mais justo que os EUA devolvam agora a gentileza, financiando a reforma da Torre Eiffel.

Imageinei o ato final deste namoro, desta dança. A Estátua da Liberdade se entrega lânguida, a este verdadeiro símbolo fálico, emblema maior do poder capitalista (diga-se de passagem, construído sobre valores estritamente masculinos, para não dizer machistas), que no momento nescessita desesperadamente tirar suas teias de aranha, seu ferrugem, seu atraso... em suma: trocar o óleo.

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