25 de ago de 2009

A fase anal do Senado Federal

Não quero baixar o nível do blog, mas é preciso acompanhar e fazer juz aos fatos, tal qual eles se apresentam.

Não sou especialista em psicanálise, mas sei que Freud descreveu uma das fases do desenvolvimento da criança, ali pelos três ou quatro anos, em que existe um interesse particular dos pimpolhos pelas fezes ou pelo ato de evacuar.

Nas duas semanas anteriores, às quais já me referi na charge O SONO DA RAZÃO PRODUZ MONSTROS, o Senado Federal parece ter entrado numa espécie de "fase anal tardia". Durante vários dias, alguns senadores proferiram diversas frases, comentários ou insultos pessoais em torno do tema. Quase não acreditei. Era enfim a lama absoluta (ou sabe-se lá qual outra substãncia fétida e molenga) . Parece, entretanto e infelizmente, que o fim deste poço está ainda longe de ser atingido.

Imaginei um debate em plenário onde estariam vasos sanitários que repetem as tais frases, uns para os outros. Vocês podem não acreditar, mas transcrevo aqui as frases de forma quase literal (sem alteração substancial de conteúdo), da maneira como as li ou ouvi na imprensa ! Ao fundo da cena, Lula está sentado tranqüilamente em seu troninho, "obrando". Afinal de contas, em última instância, toda essa confusão acaba sendo "obra" dele mesmo.

17 de ago de 2009

O sono da razão produz monstros


Nas duas últimas semanas a tal crise do Senado deixou o país perplexo. Pelo menos era o que se lia nos jornais e o que se falava nos botecos. Já que leio jornais e freqüento botecos diariamente, não pude conter o desejo de comentar o caso.


Meninos, eu vi e vivenciei os seis anos de Sarney, com inflação de quase 80% ao mês! Meninos, eu vi Collor derrotar Lula numa campanha em que a opinião pública foi escandalosamente iludida. Eu vi o confisco da poupança. Eu fui às ruas para pedir o impichement do Collor e comemorei sua queda. Eu sonhei com Lula na presidência em 94, em 98 e vibrei em 2002, quando ele finalmente chegou lá.


Por mais que eu entenda que a prática política tenha que envolver acordos nem sempre coerentes, que seja necessário e difícil manter a governabilidade neste país tão viciado em práticas escusas, por mais que eu tente entender, não dá pra assistir o Lula usando sua popularidade e sua influência nos bastidores para sustentar o Sarney no poder, junto com o Collor, o Renan e outras figuras do gênero. Não sou analista político, mas concordo com esta avaliação feita por alguns articulistas.


Inicialmente pensei em criar uma charge que descrevesse o "show de horrores do Dr. Lula", uma imagem que mostrasse um circo dantesco de figuras sinistras, criadas e comandadas por um mestre de cerimônias com a pinta daqueles cientistas malucos do cinema de terror. Talvez ainda faça esta charge, mas preferi desenvolver uma antiga idéia que me pareceu mais precisa e adequada ao momento.


Resgatei então uma imagem que admiro muito: a gravura O sono da razão produz monstros, feita no século XVIII pelo artista espanhol Francisco Goya. Na imagem de Goya, vemos um artista que dorme sobre sua mesa de trabalho, rodeado por vários seres monstruosos: corujas, morcegos gigantes e um gato de olhar estatelado e estado de prontidão.


Nesta charge, recrio a imagem usando uma configuração parecida com a original. Aqui, Lula dorme tranquilo e sorridente sobre sua mesa, enquanto a sua volta surgem das sombras noturnas as tais figuras sinistras: Sarney, Collor e Renan. O fim da razoabilidade e da coerência que marcavam o ideário defendido por Lula e pelo PT durante décadas, e que tanto nos motivou
a continuar acreditando na boa política, apesar de tudo, permite que estes homens ressurjam magníficos, ameaçadores e poderosos, de um passado que esperávamos já estar superado. Doce inocência.

10 de ago de 2009

Divulgação do livro O IMPERADOR DE PASÁRGADA

Quero agradecer de coração a presença dos amigos no lançamento do meu livro O IMPERADOR DE PASÁRGADA.

Para quem não pôde comparecer, mas quer conhecer o trabalho, o livro pode ser encontrado na livraria PLANET MUSIC (Av. Independência, quase esquina com Santo Antônio), na livraria PEDRO II (Av. Rio Branco, na galeria logo depois da Rua Marechal Deodoro), na livraria TERCEIRA MARGEM (Rua Halfeld, Galeria PIO X, 2º piso) ou diretamente comigo (pelo celular 9135 3655). Em breve ele estará também em outras livrarias. Um abraço a todos. Rogério.

Sobre O IMPERADOR DE PASÁRGADA


O livro O IMPERADOR DE PASÁRGADA reúne uma série de desenhos e textos produzidos em 2008, que compõem uma fábula sobre as relações de poder, a opressão das consciências, a ascenção e a queda de um imperador tirano na mítica cidade de Pasárgada.

Em época de crises políticas constantes, seja no senado brasileiro, em Honduras ou no Irã (onde ironicamente ficava situado o antigo Império Persa, cuja capital era a cidade de Pasárgada), esta historinha de caráter universal, que se repete em tantas épocas e lugares distintos, pode estimular algumas reflexões interessantes.

A REDE DE MANIPULAÇÕES


Uma das ilustrações do livro OIMPERADOR DE PASÁRGADA

O TEMPO DAS NUVENS NEGRAS E DAS BRANCAS NUVENS


Uma das ilustrações do livro O IMPERADOR DE PASÁRGADA

O ESPANTALHO DOS MILHÕES


Uma das ilustrações do livro O IMPERADOR DE PASÁRGADA

4 de ago de 2009

Peter Pan aos noventa anos

Outro dia eu conversava on-line com um ex-aluno. A certa altura da conversa, eu disse a ele que sou absolutamente incompetente para relacionamentos amorosos de longo prazo. Ele me disse: "Você é um eterno adolescente. Se eu fosse desenhista, desenhava você em neverland".
Neverland é a terra do nunca, da história de Peter Pan, lugar onde as crianças nunca crescem. Eu respondi: "Sou mesmo. Mas ainda me acerto com alguém, nem que seja aos noventa anos, com uma daquelas enfermeiras gostosonas, contratada para cuidar de mim." Imediatamente me imaginei com noventa anos, vestido de Peter Pan, ao lado de uma enfermeira com a cara da Wandy, aquela garota que o Peter Pan leva pra "brincar" na terra do nunca.

Desenhei a roupa do Peter Pan e a cara da Wandy inspirado no desenho animado da Disney. Tentei imaginar como eu estaria com noventa anos de idade: o nariz e as orelhas maiores e o rosto muito enrrugado. Talvez esteja também um pouco mais gordo. Sei lá...
O cenário foi feito a partir de uma foto que tirei a alguns meses em Chácara, cidade onde passei minha infância e pré-adolescência. Fui la´visitar meu sobrinho recém nascido e passei em frente a este bar, que hoje está fechado, com aquela placa da Coca-cola quase caindo e a vidraça da janela quebrada. Ali era o forró do Jair, que funcionava nos finais de semana, sendo rara a ocasião em que a madrugada não terminava em homéricas pancadarias, com tiros e facadas.
Chácara é a minha terra do nunca, e talvez algum dia, já crescidinho, eu volte para lá, para não crescer mais.