20 de ago de 2011

ARQUIVO 6 - Um pequeno desenho animado

Clique aqui para ver o vídeo.




Estou trabalhando na finalização de um novo desenho animado: A MULHER ALADA. É um projeto pessoal que iniciei em 2005 e com o qual eu trabalho esporadicamente, quando tenho tempo e disposição. Neste início de segundo semestre, estarei mergulhado nesta empreitada, pois pretendo concluir o filme até outubro, no máximo.

Enquanto isso, dou sequência à postagem de materiais de arquivo. Por falar em animação, hoje me lembrei de um pequeno desenho animado (de trinta segundos) que produzi nos idos de 1999 ou 2000 e finalizei em 2004. Comecei a desenhar um monstro qualquer, sem saber muito bem oque ele era. Quando concluí os primeiros desenhos, achei que ele tinha cara de bicho papão, embora eu nunca tenha vista a cara de um deles na infância.

Eu tinha umas fotos antigas da minha família, com bebês e anjinhos de procisão em trajes meio exóticos, que eu desejava utilizar num vídeo qualquer. Daí veio a idéia de transformá-los em vítimas do meu bicho papão, que come as criancinhas e, por obra e graça de alguma pertubação digestiva, vomita anjinhos.

Trabalhei o desenho todo a grafite, inserindo os recortes e colagens fotográficas, com trilha sonora do Adauto Vilela. A animação se chama A LENDA DO BICHO PAPÃO E AS CRIANÇAS INDIGESTAS (o título é quase maior que o filme. Bon apetit.

17 de ago de 2011

MIRAGENS, novamente

Eu havia retirado meu desenho animado MIRAGENS do youtube para providenciar um arquivo de melhor qualidade. Estou agora postando o vídeo novamente (clique AQUI para ver o vídeo).



Segue abaixo o comentário que acompanhava o post original.

MIRAGENS, um primeiro exercício em desenho animado

Fiz este desenho animado em 2006 e o exibi em algumas mostras de vídeo e cinema. Era uma tentativa de unir as duas linguagens com as quais tenho trabalhado: o audiovisual e o desenho. Deu tanto trabalho que até hoje não tive coragem de encarar até o fim outro projeto desses, embora tenha dois roteiros prontos e um filme com algumas cenas já animadas sem arte final.


Gosto muito da atmosfera surreal das situações do filme. Imaginei um escravo romano em fuga por um deserto, algumas décadas antes do nascimento de Cristo. No limite de suas forças, ele começa a ter alucinações. Os objetos de seu desejo evoluem dos instintos mais fundamentais até o nível da espritualidade. Primeiro a água, que mataria sua sede. Depois um porco assado, que mataria sua fome. Logo depois, a diversão e o sexo: um barril de vinho seguido de uma mulata nua, que samba para ele de maneira insinuante. Um piano, um automóvel, uma TV... objetos de consumo contemporâneos e estranhos a ele, o que o deixa confuso. Em seguida, uma impassível, solene e perversa santíssima trindade, que não se contem e cai na gargalhada, escarnecendo sobre o trágico destino humano. Enfim, o encontro consigo e a irônica constatação de que ele não passava de uma miragem de si mesmo.

Nos catálogos das mostras em que o filme foi exibido, havia um subtítulo que resume de forma bem direta a idéia: Do animal ao nada.

15 de ago de 2011

Frankstein Contemporâneo (uma imagem nefanda)


Depois de alguns meses ausente, volto a postar no blog. Muitas idéias e projetos acumulados no período. Pretendo colocar o trabalho em dia nas próximas semanas.

Terminei esta imagem semana passada e fiquei reticente em publicá-la. Na verdade, não estou ainda satisfeito com o resultado. É uma imagem que me causa uma angústia muito grande e comecei a avaliar se a insatisfação que sinto com o resultado não seria uma resistência minha ao seu conteúdo tóxico. Fiz e refiz este troço umas vinte vezes, com várias técnicas, materiais, opções de cenário, cor, elementos gráficos, etc... e isso foram três ou quatro meses. Mas chega uma hora em que é preciso colocar um ponto final. E aí está.

Trata-se de uma referência ao assassino das crianças no colégio de Realengo, tragédia ocorrida em abril deste ano, no Rio. A coisa me pareceu tão brutal e inexplicável, que fui obrigado a procurar uma imagem que me ajudasse a digerir e compreender esta loucura, que antes parecia exclusiva de psicopatas americanos e fanáticos orientais.

Acabei imaginando o assassino como uma espécie de Frankstein cibernético, cujo corpo seria construído de fragmentos do imaginário contemporâneo, absorvidos via tecnologias da comunicação (TV, internet, celular, etc). Ali temos fanatismo religioso, idealizações de pureza ascética, pornografia, banalização da violência, armamento indiscrinado, enfim, um caldeirão de ingredientes potencialmente explosivos. Só para lembrar, o monstro de Frankstein da história original foi construído por um cientista a partir de pedaços de diversos cadáveres costurados.

Busquei as fotos do assassino, divulgadas após sua morte, em que ele aparece na sala de sua casa apontando um revólver contra a própria cabeça e outros dois revólvers contra inimigos invisíveis a seu lado. No desenho, ele aponta sua arma para uma pequena e indefesa rosa, caída no chão.